quarta-feira, 21 de novembro de 2012

LOGÍSTICA REVERSA: Uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais


Introdução

Usualmente pensamos em logística como o gerenciamento do fluxo de materiais do seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. No entanto, existe também um fluxo logístico reverso, do ponto de consumo até o ponto de origem, que precisa ser gerenciado.
Este fluxo logístico reverso é comum para uma boa parte das empresas. Por exemplo, fabricantes de bebidas têm que gerenciar todo o retorno de embalagens (garrafas) dos pontos de vendas até seus centros de distribuição. As siderúrgicas usam como insumo de produção em grande parte a sucata gerada pelos seus clientes e para isso usam centros coletores de carga. A indústria de latas de alumínio é notável no seu grande aproveitamento de matéria prima reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas.
Existem ainda outros setores da indústria onde o processo de gerenciamento da logística reversa é mais recente como na indústria de eletrônicos, varejo e automobilística. Estes setores também têm que lidar com o fluxo de retorno de embalagens, de devoluções de clientes ou do reaproveitamento de materiais para produção.
Este não é nenhum fenômeno novo e exemplos como o do uso de sucata na produção e reciclagem de vidro tem sido praticados há bastante tempo. Por outro lado, tem-se observado que o escopo e a escala das atividades de reciclagem e reaproveitamento de produtos e embalagens tem aumentado consideravelmente nos últimos anos.

O Processo de Logística Reversa e o Conceito de Ciclo de Vida

Por trás do conceito de logística reversa está um conceito mais amplo que é o do "ciclo de vida". A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente. Produtos se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e devem retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados.
Do ponto de vista financeiro, fica evidente que além dos custos de compra de matéria prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso. Do ponto de vista ambiental, esta é a forma de avaliar qual o impacto de um produto sobre o meio ambiente durante toda a sua vida. Esta abordagem sistêmica é fundamental para planejar a utilização dos recursos logísticos de forma a contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos. Neste contexto, podemos então definir logística reversa como sendo o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de realizar um descarte adequado.
O processo de logística reversa gera materiais reaproveitados que retornam ao processo tradicional de suprimento, produção e distribuição, conforme indicado na figura 1.


 

Este processo é geralmente composto por um conjunto de atividades que uma empresa realiza para coletar, separar, embalar e expedir itens usados, danificados ou obsoletos dos pontos de consumo até os locais de reprocessamento, revenda ou de descarte.
Existem variantes com relação ao tipo de reprocessamento que os materiais podem ter, dependo das condições em que estes entram no sistema de logística reversa.  Os materiais podem retornar ao fornecedor quando houver acordos neste sentido. Podem ser revendidos se ainda estiverem em condições adequadas de comercialização.  Podem ser recondicionados, desde que haja justificativa econômica.  Podem ser reciclados se não houver possibilidade de recuperação.  Todas estas alternativas geram materiais reaproveitados, que entram de novo no sistema logístico direto.   Em último caso, o destino pode ser o seu  descarte final (figura 2).



Caracterização da Logística Reversa

A natureza do processo de logística reversa, ou seja, quais as atividades que serão realizadas dependem do tipo de material e do motivo pelo qual estes entram no sistema.  Os materiais podem ser divididos em dois grandes grupos: produtos e embalagens. No caso de produtos, os fluxos de logística reversa se darão pela necessidade de reparo, reciclagem, ou porque simplesmente os clientes os retornam.
O fluxo reverso de produtos também pode ser usado para manter os estoques reduzidos, diminuindo o risco com a manutenção de itens de baixo giro.  Esta é uma prática comum na indústria fonográfica.  Como esta indústria trabalha com grande número de lançamentos, o risco dos varejistas ao adquirir estoque se torna muito alto.  Para incentivar a compra de todo o mix de produtos algumas empresas aceitam a devolução de itens que não tiverem bom comportamento de venda. Embora este custo da devolução seja significativo, acredita-se que as perdas de vendas seriam bem maiores caso não se adotasse esta prática.
No caso de embalagens, os fluxos de logística reversa acontecem basicamente em função da sua reutilização ou devido a restrições legais como na Alemanha, por exemplo, que impede seu descarte no meio ambiente.  Como as restrições ambientais no Brasil com relação a embalagens de transporte não são rígidas, a decisão sobre a utilização de embalagens retornáveis ou reutilizáveis se restringe aos fatores econômicos.
Existe uma grande variedade de containeres e embalagens retornáveis, mas que tem um custo de aquisição consideravelmente maior que as embalagens oneway.  Entretanto, quanto maior o número de vezes que se usa a embalagem retornável, menor o custo por viagem que tende a ficar menor que o custo da embalagem oneway.

Fatores críticos que influenciam a eficiência do processo de  logística reversa

Dependendo de como o processo de logística reversa é planejado e controlado, este terá uma maior ou menor eficiência.  Alguns dos fatores identificados como sendo críticos e que contribuem positivamente para o desempenho do sistema de logística reversa são:
  •    Bons controles de entrada;
  •    Processos padronizados e mapeados;
  •    Templo de ciclos reduzidos;
  •    Sistemas de informação;
  •    Rede logística planejada;
  •  Relações colaborativas entre clientes e fornecedores.

Conclusão

A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa prioridade.  Isto se reflete no pequeno número de empresas que tem gerências dedicadas ao assunto.  Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Esta realidade, está mudando em resposta a pressões externas como um maior rigor da legislação ambiental,  a necessidade de reduzir custos e a necessidade de oferecer mais serviço através de políticas de devolução mais liberais.
Esta tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e , é claro, de seu custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística reversa.  Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento que no fluxo logístico direto tais como estudos de localização de instalações e aplicações de sistemas de apoio à decisão (roteirização , programação de entregas etc.).
Isto requer vencer desafios adicionais visto ainda a necessidade básica de desenvolvimento de procedimentos padronizados para atividade de logística reversa.  Principalmente quando nos referimos à relação indústria-varejo, notamos que este é um sistema caracterizado predominantemente pelas exceções , mais do que pela regra.  Um dos sintomas desta situação é a praticamente  inexistência de sistemas de informação voltados para o processo de logística reversa.
Um tópico a ser explorado em outra oportunidade diz respeito à utilização de prestadores de serviço no processo de logística reversa.  Como esta é uma atividade onde a economia de escala é fator relevante e onde os volumes do fluxo reverso são ainda pequenos, uma opção viável se dá através da terceirização.  Já é comum no Brasil a operação de empresas que prestam serviço de gerenciamento do fluxo de retorno de pallets.  Se considerarmos o escopo mais amplo da logística revesa, existe espaço também para operadores que prestam serviços de maior valor agregado como o rastreamento e o reprocessamento de produtos usados.


FONTE:
Artigo de Leonardo Lacerda - www.sargas.com.br


GRUPO VERMELHO




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